Do local ao global: pequenos negócios podem conquistar o mercado internacional?

  • 20/04/2026
(Foto: Reprodução)
Capacitação, networking, consultoria e recursos: programa impulsiona pequenos negócios rumo à internacionalização Foto: Coleção Deriva Tropical 2026 por Zsolt Elevar o nível operacional, fortalecer a marca e conquistar novos mercados são metas que habitam a mente de qualquer empreendedor que busca ampliar sua competitividade e produtividade. Em alguns casos, esse salto não significa crescer dentro do próprio país, mas expandir a atuação para além das fronteiras nacionais. “Não é raro vermos produtos que, no Brasil, enfrentam uma concorrência acirrada , mas que, no mercado internacional, encontram um público atraído pela brasilidade do produto, sua originalidade material ou cultural e tecnicidade própria”, explica Claudine Bichara, gerente de negócios internacionais do Sebrae Rio. Na prática, esse movimento em prol do crescimento pode começar muito antes da internacionalização do negócio, mas no desenvolvimento de um produto cheio de potencial aos olhos de quem está fora do país. Esse foi o caso dos irmãos Thatiana e Bruno Schott, de Bom Jardim (RJ). Desenhando novos moldes A insatisfação com a produção em massa no ramo da moda íntima levou os irmãos a adotarem um processo minucioso e autoral, dessa vez voltado ao vestuário. Num ateliê em Nova Friburgo (RJ), unindo a formação de Thatiana em Administração e a de Bruno em Publicidade, a dupla subverteu a lógica do chão de fábrica e passou a criar uma peça por vez. Assim, em 2012, nasceu a Zsolt (lê-se: Zouti), marca que transforma tecidos reaproveitados em roupas sustentáveis feitas à mão, com tingimento natural e secagem ao sol. Estamparia artesanal e mais gentil com o planeta que, nas palavras de Thatiana, desperta um “apaixonamento” por onde passa. Quatro anos depois, os Schott participaram de um projeto piloto de exportação do Sebrae em Paris, França, que incluía o Processo de Aprovação de Peça de Produção (PPAP), uma verificação detalhada de qualidade. A evolução consistente da marca levou os irmãos a receberem o convite da coordenadora de negócios internacionais do Sebrae para participarem do ProGlobal, programa multissetorial de capacitação do Sebrae RJ, que oferece treinamento e apoio para ajudar pequenas empresas a venderem seus produtos e serviços no mercado internacional. “Começamos a nos fortalecer internamente em todos os setores da empresa através das consultorias do Sebrae. Então, em 2023, participamos do nosso primeiro ProGlobal. A Miriam Ferraz foi peça fundamental: mesmo após recusarmos o convite algumas vezes, ela sempre reforçava o potencial do nosso produto no mercado internacional... uma grande incentivadora da Zsolt”, relembra Thatiana. De forma artesanal e sustentável, os irmãos Schott criam camisas, blusas, bermudas, calças, saias, vestidos, macacões e mais Foto: Coleção Deriva Tropical 2026 por Zsolt Da produção própria à exportação Criado em 2020, o ProGlobal oferece uma formação de oito meses, identificando empresas com diferenciais competitivos (como técnica, design, sustentabilidade, brasilidade e outros) e preparando-as para o mercado internacional. O Sebrae Rio lança inscrições para o ProGlobal com 65 vagas disponíveis. Este ano, o programa será dividido em dois para atender quem empreende nos segmentos de Moda ou Alimentos e Bebidas - https://sebraerj.com.br/aceleracao-de-negocios/internacionalizacao. A jornada começa com um processo seletivo rigoroso, voltado a empresas com diferencial competitivo e capacidade produtiva adequada. Recebendo a aprovação, o Sebrae garante de 90 a 95% do valor da capacitação ao empreendedor, que participa de oficinas em grupo e consultorias individualizadas. A metodologia do programa é dividida em cinco etapas: design estratégico para internacionalização, posicionamento da marca no mercado externo, estratégia de comunicação internacional, gestão financeira e estratégia comercial. “Recebemos consultoria orientando cada área: finanças, logística, pós-venda e preparação de toda documentação e envio. Também tivemos total auxílio na construção de brand book e de materiais para clientes, como e-mail marketing”, afirma Thatiana. "Hoje, a Zsolt exporta suas peças para diversos estados dos EUA: Nova York, Califórnia, Nova Jersey, Carolina do Norte e Novo México." Para os pequenos empreendedores que ficam na dúvida sobre qual país escolher como alvo, Claudine Bichara explica como isso é orientado no ProGlobal: “Muitas vezes, o empresário chega com um país em mente por comodidade ou outro motivo subjetivo. O que fazemos é não só ampliar esse horizonte, mas oferecer uma análise do mercado mais adequado para a absorção de seu produto. Aqui no Brasil, há uma tendência a optar pela América do Sul, Estados Unidos e Europa. Embora não façamos a exclusão desses mercados mais tradicionais, mostramos outras possibilidades na Ásia, na África, no Oriente Médio… Diversificar o olhar para as alternativas de mercado é fundamental, inclusive para reduzir riscos e aproveitar melhor as oportunidades". Transformando propósito em impacto global Assim como a empresa dos irmãos Schott, outro negócio encontrou no ProGlobal o suporte necessário para expandir internacionalmente, levando suas exportações a Angola, Portugal, Alemanha e Suíça. É o caso da Papel Semente, de Andréa Carvalho, de São Gonçalo (RJ), referência em sustentabilidade desde 2009. A marca produz papel biodegradável com sementes em sua composição. A iniciativa oferece às empresas uma alternativa mais ecológica para seus materiais impressos, que após utilizados, podem ser plantados e transformados em flores, plantas e hortaliças. O negócio levou Andréa ao primeiro lugar nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2023, na categoria pequenos negócios. Veja a entrevista com a empreendedora. "Pique, molhe, plante" é a ideia da Papel Semente, negócio de Andréa Apoio que abre portas Como vimos com a Zsolt e a Papel Semente, o ProGlobal atende diversos setores. Entre eles estão alimentos e bebidas, moda e acessórios, saúde e beleza, joias, cosméticos, energia, biotecnologia, petróleo e gás, tecnologias da informação e comunicação (TICs) e serviços técnicos especializados. Claudine Bichara destaca que há ainda nichos com grande potencial, mas pouco explorados por pequenos negócios no Brasil, como os games. Essa diversidade de empreendedores no programa cria um ambiente rico para conexões estratégicas. Antes de começar a exportar, as empresas simulam situações reais, identificam parceiros e constroem relações de negócio durante atividades práticas e grupos em aplicativos de mensagens. “Hoje tenho uma superparceira, que conheci no projeto: a Belle Paiva, com quem dividimos o espaço em São Paulo, além de outras marcas com que trocamos experiências constantemente”, comenta Thatiana. Além do networking, o ProGlobal também oferece suporte para lidar com obstáculos do empreendedor brasileiro que sonha em exportar: “Muitos empresários não sabem como precificar para fora. É preciso estudar concorrência, logística, cultura empresarial do novo cliente, embalagens específicas, tarifas, escopo legal e exposição cambial”. É um aprendizagem precioso que o Sebrae oferece, que é básico para conquistas valiosas”, alerta Bichara. Com tudo alinhado, o aprendizado do ProGlobal começou a se refletir diretamente na rotina e nos resultados da Zsolt. “Com a casa em ordem, passamos a produzir mais e precificar melhor. Viver o ProGlobal representa um crescimento enorme para pequenos empresários. Abrimos a loja de São Paulo há sete meses, resultado direto desse processo de capacitação", relata a empreendedora. Graças às conexões do ProGlobal, Zsolt inaugurou sua loja física em São Paulo Foto: Zsolt O “uau” que atravessa fronteiras Com a base para exportação estruturada, a Zsolt contou com o subsídio do Sebrae para participar de feiras internacionais e, logo nas primeiras experiências, já teve respostas positivas. “A reação foi muito interessante... eles diziam: ‘Uau, que marca diferente’. Chegavam na arara, colocavam a mão na roupa e diziam: ‘me arrepiei, isso é muito lindo!’”, recorda Thatiana. Para ela, grande parte do interesse do público internacional pela Zsolt vem do uso de técnicas artesanais, como tie-dye e batik, aplicadas de forma artística, o que torna as peças únicas. Esse potencial de atratividade, no entanto, nem sempre é visto pelos pequenos negócios brasileiros. “Muitos empresários ainda enfrentam a barreira psicológica de achar que exportar não é para eles, que vai ser caro ou difícil. Mas internacionalizar parte de uma tomada de decisão que implica uma trajetória cujo passo a passo é mostrado nos nossos programas e é acompanhado em cada etapa por nossas equipes de consultores e especialistas. Nossa missão é orientar e apoiar a pequena empresa a se organizar e se transformar numa estrela no mercado internacional”, explica Bichara. Para a Zsolt, que já abraçou essa oportunidade, os números avançaram: a exportação impulsionou o volume de vendas da marca em 10%, com meta de chegar a 30%. Entre as peças mais vendidas lá fora estão blusas e vestidos em malha, além de saias de algodão. Agora, bem estabelecidos, com uma equipe de 12 pessoas mais uma agência, Thatiana e Bruno miram o mercado europeu. As jornadas da Zsolt e da Papel Semente evidenciam o impacto do ProGlobal, que já atendeu cerca de 400 empresas e aumentou em mais de 70% a aptidão de empreendedores para o mercado internacional. O programa de internacionalização mais completo do país Se você quer preparar sua empresa para o mercado internacional, atente-se às oportunidades do Sebrae nesta sexta edição do ProGlobal. Para 2026 são 65 vagas: 40 para o setor de Moda e 25 para Alimentos e Bebidas. O edital já está disponível e as inscrições vão até 15 de maio. A seleção identifica Microempreendedores Individuais (MEI), Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) com produtos ou serviços com potencial de internacionalização. A partir daí, oferece capacitação para estruturar o processo de exportação, com apoio de analistas e consultores especializados. O objetivo é reduzir riscos e preparar as empresas para expandir de forma consistente para o mercado externo. Despertou o interesse? Inscreva-se aqui.

FONTE: https://g1.globo.com/empreendedorismo/pegn/especial-publicitario/empreenda-com-sebrae/noticia/2026/04/20/do-local-ao-global-pequenos-negocios-podem-conquistar-o-mercado-internacional.ghtml


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